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01/03/2008

Aprender a mudar para as organizações é uma questão de sobrevivência. Não dá para prever o futuro, digo aos meus clientes. Mas dá para você analisar tendências, identificar inovações. Dá para construir, digamos assim, uma arqueologia reversa do futuro. Com isso uma organização pode ter mais clareza acerca dos futuros prováveis. Os projetos, mesmo a rotina do dia-a-dia, devem ser propostas de ações que considerem estes prováveis futuros. Mesmo assim, fiquem certos de que, certamente, o futuro real será sempre bastante mais complexo e diverso das projeções. Por isso é necessário que as organizações procurem ter mais criatividade e flexibilidade, tanto na concepção quanto na implementação de seus planos. Essa é a única maneira de impedir que o futuro seja uma avalanche sobre sua cabeça.
Apesar de não ser um consultor de pessoas – como, no fundo são os psicólogos e terapeutas – penso que as pessoas, tanto quanto organizações, devem aprender a mudar e a formular de maneira criativa seus próprios planos para navegar o tempo em direção ao futuro.
De onde vem essa minha fixação com mudança? Sou autor de livros – tenho já três publicados, o quarto está caminho – e neles tenho sustentado a tese de que a vida atualmente é mais complexa e a incerteza maior porque estamos realizando, conjuntamente como humanidade, uma grande travessia: a transição dos tempos da Sociedade Pós-industrial para a Era da Sociedade Digital Global.
Devido à repercussão de meus livros, em particular quando foi lançado o meu segundo livro, intitulado Pegando no Tranco – o Brasil do jeito que você nunca pensou (editora Senac-Rio, 2006), a direção da revista Época me convidou para integrar seu time de colunistas. “Escrever sobre o quê?” – perguntei na ocasião. A resposta de meus editores foi “Como linha geral, a idéia é publicar artigos no estilo dos seus livros: para mostrar realidades que passam despercebidas ou que são contrárias ao senso comum. Mostrar como o foco de algumas discussões está errado, como alguns conceitos firmemente arraigados são equivocados. Não precisa ser necessariamente sobre economia, idéias sobre a sociedade em geral estão valendo -- de saúde pública a eleições”.
No final do ano passado, com o objetivo de coletar material para meus próximos livros e também para minha colaboração na mídia, resolvi deslanchar o projeto de ampliar a minha tela de radar de inovação e de tendências de mudança. Basicamente pretendo realizar viagens internacionais e nacionais, nos próximos três anos, com o objetivo de identificar tendências e inovações que deverão amadurecer, deslocar as soluções até aqui tradicionais, e se tornarem o chamado business-as-usual nas próximas décadas. Note bem: não se trata apenas de focar apenas em inovação tecnológica. Podem ser mudanças de comportamento e estilos de vida, mudanças de gestão, políticas públicas, etc.
A este projeto dei o nome de Expedições em Busca de Inovações & Mudanças de Ruptura. A expedição inaugural já aconteceu. Foi Israel. Por quê? Entender como aquele pequeno país, que tem metade da população e do tamanho do nosso Rio de Janeiro, tornou-se, em poucos anos, uma potência global produtora de patentes em alta tecnologia. Israel é, na atualidade, o segundo país com o maior número de empresas com ações listadas na NASDAQ (bolsa da Nova Economia em NY). Em primeira mão, Época desta semana traz o relato especial de minha expedição a Israel. Você pode ler clicando aqui. |
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28/02/2008
Onde estão as novas respostas? Na terça-feira passada, dia 26 de fevereiro, Arnaldo Jabor, em seu comentário diário na rádio CBN, disse que "Obama fala em 'change', mas mudança neste mundo torto é das coisas mais difíceis de acontecer". Você pode ouvir o comentário na íntegra clicando aqui.
No entanto, inovações e mudanças estão acontecendo em um mundo cada vez mais globalizado, mais complexo e mais interdependente. Em velocidade cada vez mais acelerada. E não é só inovação em tecnologia. Mudanças de comportamento, novos estilos de vida, mudanças nos negócios... Até mesmo em governo -- acreditem! -- tem coisas acontecendo.
Não podemos ficar na nostalgia dos tempos passados. É hora de acelerar nosso encontro com um futuro que já se faz sentir com cada vez mais intensidade no presente.
Está chegando a hora de apresentar para vocês meu projeto Expedições em Busca de Inovações & Mudanças de Ruptura. Breve! |
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26/02/2008

Dica de leitura
No meu post anterior, mencionei o importante papel dos ativistas sociais que ajudam a dinamizar a democracia. Gente que não se limita a votar, mas que propõe caminhos e alternativas. Gente que não se cansa nem perde o entusiasmo e que ajuda a tirar das mãos dos políticos profissionais o cheque em branco que o eleitor passivo entrega.
Um belo exemplo de como os ativistas influenciam a mudança e a percepção da sociedade é a conscientização que ocorreu ao longo da segunda metade do século XX de que fumar torna-se facilmente um vício, que produz sérios problemas de saúde. A massificação deste vício, por sua vez, toma as dimensões de um problema de saúde pública.
Durante as primeiras décadas do século XX, a ciência cansou de mostrar evidências de correlação entre fumar e câncer. No entanto, os grandes lobbies corporativos conseguiram durante décadas seguidas enganar a opinião pública. As ferramentas foram desde corrupção desavergonhada de médicos até o uso de propaganda subliminar – Hollywood! – e propaganda enganosa escancarada, como comprova o anúncio acima, o qual faz parte de uma série que se tornou um verdadeiro ícone da propaganda canalha.
Grupos e mais grupos de ativistas sociais nos EUA prosseguiram pressionando incessantemente até os anos 70, quando o Ministro da Saúde finalmente produziu um relatório admitindo a correlação tabaco-câncer. Daí começaram as políticas públicas visando a desestimular o vício de fumar. De lá pra cá, as vendas de tabaco caíram mais de 70% nos EUA, apesar do imenso crescimento vegetativo do mercado. Atualmente o mercado do tabaco só tem aumentado na Rússia, China e países africanos.
O livro que estou lendo (capa reproduzida abaixo) foi produzido por ativistas canadenses que argumentam que o câncer já tem características epidêmicas. Além disso, eles argumentam que já deveria ter soado o alarme para a opinião pública e para os políticos que temos que agir mais rápido, sobretudo na questão da prevenção. Isto mesmo! Mudança à vista: o foco no câncer não deve mais ser só na cura. Chegou a vez de uma mudança inovadora na questão do enfrentamento do câncer. É hora de começar a investir pesado na prevenção.
Fica aí uma boa dica de leitura: Cancer - 101 soluções para a prevenção da epidemia  Você pode saber mais sobre o livro, que até agora só está disponível em inglês, clicando no link a seguir: www.earthfuture.com/cancer/ |
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| Ricardo Neves |
| Além de colunista de Época, Ricardo Neves é consultor de empresas, autor e conferencista. Seus temas prediletos são inovação e processos de mudança nos estilos de vida das pessoas, na sociedade, nas organizações e no governo. O Novo Mundo Digital – Você Já Está Nele é seu livro mais recente e é o primeiro volume de uma trilogia intitulada Renascença Digital |
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