21/02/2008
Obama pode ser o cool de volta à politica?

Além de escritor e colunista, sou consultor de empresas. Como consultor, ao longo de minha vida profissional, tenho seguido um norte de realização muito claro: meus clientes finais são sempre pessoas, as quais são clientes de meus clientes. Se isto é mais ou menos rentável, não me interessa. Estar bem com minha consciência é sempre mais importante que meu saldo bancário. Ponto.
Para me manter antenado como consultor, procuro sempre olhares de fora do ambiente corporativo para entender mais as pessoas, seus estilos de vida, suas inquietações e necessidades. Gosto de observar a movimentação de ativistas sociais, como o Greenpeace e o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), etc. Um dos meus grupos favoritos desses ativistas chama-se Adbusters, um grupo internacional reunindo ex-marqueteiros e ex-publicitários que se tornaram uma espécie de contra-especialistas – ou especialistas do contra? – em marketing, propaganda e publicidade.
O objetivo do Adbusters é organizar agitos com o fim de sacudir as pessoas para fora do entorpecimento consumista criado pelos abusos da poderosa máquina corporativa de propaganda. Mesmo que sejam meio fundamentalistas em algumas de suas análises e proposições, – e olha que o Adbusters tem muito disso! – ativistas sociais meio radicais, porém pacifistas, como esses, são parte importantíssima de uma democracia moderna. Eles instigam as pessoas a procurarem outros pontos de vista. Que deixem de ser eleitores passivos, que se limitam a entregar um cheque em branco para os políticos que aparecem, de tempos em tempos, como salvadores da pátria.
Inspirado no entusiasmo crescente da proposta de “esperança de mudança” de Barack Obama, o Adbusters fez sua matéria de capa. Está também, paralelamente, realizando uma enquête mundial conclamando a identificar outros possíveis candidatos que podem ajudar a recuperar o sentido do cool na política. Cool, segundo eles, são políticos que ajudam a política a ganhar mais glamour, a recuperar a atitude de resistência à subjugação, de expressão de rebelião, de postura de desafio ao status quo.
Peguei carona nas provocações do Adbusters. Desenvolvi uma conversa sobre o possível retorno do cool na política que está na minha coluna da próxima edição de Época (número 510), que vai para as bancas neste final de semana. Não percam!
Greenpeace: www.greenpeace.org.br IDEC: www.idec.org.br Adbusters: www.adbusters.org
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