24/07/2008 Carro elétrico vem aí: a ambiciosa parceria envolvendo governos israelense e dinamarquês, a Renault-Nissam e o empreendedor israelense Shai Agassi
Nas regiões metropolitanas densamente povoadas, quase 90% das pessoas que têm carro digirem menos de 60km/dia. Essas pessoas são candidatas potenciais nos próximos anos a terem um carro elétrico, o qual tem autonomia de 200km sem necessitar de recarga de bateria.
Dentro do setor automobilístico, até agora, quem está visualizando claramente esta oportunidade é Carlos Ghosn, o brasileiro que preside a quarta maior montadora do mundo, a Renault-Nissan que afirmou recentemente: “para o automóvel urbano, por exemplo, acreditamos que o futuro está no motor elétrico. E este não é um pequeno nicho, mas corresponde a 20% do mercado mundial de 65 milhões vendidos em 2007. Os motoristas deste tipo de veículo compram querendo um carro que funcione bem dentro de cidades, de casa para o trabalho, para o restaurante, para compras etc. E esse é o público-alvo do carro elétrico, particularmente nos países desenvolvidos, mas também e aos poucos em mercados em desenvolvimento devido à pressão para a proteção do meio ambiente”.
O israelense Shai Agassi tem desde o ano passado se dedicado a um projeto pioneiro de massificação do carro elétrico. Começou em janeiro em Israel e em março na Dinamarca. A estratégia de Shai é focar primeiramente na infraestrutura de apoio ao carro elétrico. Ele antevê uma rede de postos de serviços capazes de formar uma grade que estará dando sempre cobertura no caminho de carros que necessitem recarga ou troca da bateria. É um sistema que tem muitas analogias com os sistemas de telefonia celular. Da mesma forma que o celular tem serviço garantido em uma rede de células de transmissores, o carro elétrico também assim será servido. O modelo de negócio em termos de remuneração será por quilometragem, que o usuário pode comprar mensalmente.
Veja o vídeo acima sobre a iniciativa de Agassi e também leia matéria especial que fiz recentemente para Época clicando aqui.
Expedição na Alemanha: na vanguarda das Energias Renováveis Aqui em Berlim me chegam notícias ruins: a construção da usina nuclear Angra 3 deve ser retomada no dia 1º de setembro e a obra deverá estar pronta em quatro anos, informou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Pior: os planos do governo consideram ainda a construção de mais três usinas térmicas movidas a energia nuclear.
Essa política energética é um grande equívoco e estamos diante de fato grave e comprobatório de que o governo Lula está respondendo mais aos interesses do grande lobby nuclear do que aos interesses genuinamente público. Esse é o tema de minha coluna da semana passada em Época que você pode ler na íntegra clicando aqui.
A Alemanha é o mais importante dos países comprometidos com a opção zero de energia nuclear. Aqui me encontro realizando uma nova edição de minhas expedições em busca de inovações de ruptura. Nesta expedição na Alemanha meu foco de interesse está nas Energias Renováveis (solar, eólica, geotérmica, bicombustível, etc..). Aqui Davi já está enfrentando Golias e vocês vão ler meus relatos em meu blog e em próximas edições de Época.
12/07/2008 É só ligar na tomada e rodar: a hora do carro elétrico.
Shai Agassi é um empreendendor israelense de 40 anos, super-bem sucedido na área de Tecnologia de Informação e que deu uma guinada em sua vida: planeja montar redes de abastecimento para dar autonomia aos carros elétricos. Será o automóvel do futuro? Veja a matéria especial que fiz para a revista Época. Clique aqui para ler.
Depois de ler, aconselho assistir o documentário Quem matou o Carro Elétrico. Maiores informações você pode obter clicando aqui.
O que vem por aí... No Japão quase 60% dos acessos feitos pelas pessoas à internet são feitos através do celular. Aqui no Brasil a disponibilização de serviços internet banda-larga via celular tem data para explodir: a partir de dezembro.
Esse fenômeno vai acontecer simultaneamente por todo mundo, que já conta com mais de 3,5 bilhões de celulares. Nem os fabricantes de celulares conseguiram prever que a evolução da oferta e a demanda por este serviço aconteceria de forma tão radicalmente rápida. Eles previam que gastaríamos mais uns dez anos para chegar a esse número.
A forma com que nos informamos e buscamos entretenimento vai mudar radicalmente. Jornais, revistas, rádio, tv – as chamadas mídias – livros e cinemas: quem ganha? quem perde? É sobre isso a minha coluna desta semana na revista Época, que você pode ler clicando aqui.
Como sempre comentários são super-bem-vindos aqui no blog. Entretanto, parece que a maioria das pessoas prefere mesmo é enviar um e-mail pra mim
Break through – From the death of environmentalism to the politics of possibility, de autoria de Michael Schellenberger e Ted Nordhaus, e que ainda não foi traduzido para o português, é uma leitura bem legal. O livro se destaca principalmente porque os dois autores norte-americanos conseguem tratar de questões que tratam de desenvolvimento, meio ambiente e sustentabilidade fugindo de simplificações e, principalmente de detestáveis clichês e platitudes que são correntes entre experts que analisam o complexo tema.
Confesso ter lido com a respiração suspensa o capítulo onde o tema central é a floresta amazônica e como encaixar essa peça do quebra-cabeças planetário de equacionar desenvolvimento e sustentabidade. Felizmente eles não me decepcionaram. Usualmente ambientalistas, jornalistas, acadêmicos e experts, que vivem acima da Linha do Equador, costumam ser grosseiramente equivocados na questão ambiental – mesmo quando se esmeram para ser politicamente corretos e bem intencionados – e terminam por expressar uma visão fortemente unilateral e, ouso dizer, com um tremendo ranço colonialista. Os dois autores têm consciência clara desse pecado imperdoável e tentam, a todo custo, evitá-lo.
Michael e Ted não são meros acadêmicos fazedores-de-teses. Têm colocado a mão na massa e têm experiência em atuar como assessores de parlamentares norte-americanos, destacando-se o senador Barack Obama. Talvez sua mais destacada contribuição seja a bandeira que estão levantando para que os políticos percebam a conveniência e necessidade de começar um grande “Projeto Apolo de Energia”, isto é, um esforço prioritário do governo em realizar a alavancagem necessária para tornar as energias renováveis (solar, eólica, bio, etc.) as fontes prioritárias e que deverão se tornar as dominantes nos próximos trinta anos.
Serendipidade, segundo o dicionário Houaiss, é a “aptidão, faculdade ou dom de atrair o acontecimento de coisas felizes ou úteis, ou de descobri-las por acaso”. Sincronicidade é, de acordo também com o Houaiss, “coincidência de um estado psíquico com um acontecimento exterior correspondente que ocorre fora do campo de percepção do observador [segundo a teoria de C.G. Jung]”.
Depois de ler o livro Pensamento Complexo, do professor Humberto Mariotti, que comentei em post recente, fiquei pensando comigo mesmo durante alguns dias: “boa hora para ler o Edgar Morin!” Serendipidade ou sincronicidade, eis que surge em minha frente, em um de meus sebos favoritos, o Beta Aquarius, uma pechincha: por R$10 reais, uma pilha de exemplares novinhos do “Para Sair do Século XX”, livro escrito em 1980 pelo Morin e que não perdeu o vigor e a atualidade, apesar dos fatos novos acontecidos nestes 27 anos. Li e adorei. Ainda tem mais lá no Beta Aquarius, sebo de qualidade que fica no bairro do Flamengo, no Rio.
O referido livro foi escrito naquela época que ainda não se conseguia vislumbrar como ia acabar a Guerra Fria, queda do Muro de Berlim, fim da URSS, etc. De novo, serendipidade ou sincronicidade, assisti nesta semana, enquanto devorava o Morin, o belo filme “Vida dos Outros”, que se passa na Alemanha Oriental em 1984.
Acabou sendo uma bela e animadora dobradinha. Recomendo!
"Os trabalhadores do mundo são vítimas da globalização perversa que aboliu as fronteiras para empregadores atrás de mão-de-obra barata e desregulada e hoje não têm nada a perder a não ser uns 200 anos de luta. Esse foi um dos trechos da desolada crônica sobre o Dia do Trabalho escrita por Luis Fernando Verissimo. Ele é o representante de um grupo de colunistas que vêem com desconforto e relutância as mudanças do mundo atual. É uma tendência que inclui nomes respeitáveis como Roberto Da Matta, Arnaldo Jabor, Zuenir Ventura, Lia Luft e outros que oscilam entre o ceticismo e o pessimismo.
"Não compartilho da visão catastrofista de nossos mais notáveis cronistas.”
Assim começa a minha coluna na revista Época desta semana. Quer ler o restante? Para ir para a versão on-line de Época é só clicar aqui.
30/04/2008 Um livro para quem desconfia que as coisas não são simplesmente preto ou branco
Acabei de ler neste final de semana o livro Pensamento Complexo. Apesar do título, este livro não é um ensaio de leitura árida. Pelo contrário, o autor Humberto Mariotti, médico psicoterapeuta, que também é professor e pesquisador da escola de negócios BSP – Business School São Paulo, faz uma navegação entre referências e pensadores que desafiam a maneira dogmática de ver e entender o mundo e que têm tentado integrar as formas de pensar cartesiana e a sistêmica.
Sem fazer concessões, sem “arengas demagógicas nem exortações piegas”, o professor Mariotti ajuda o leitor a entender que não existem respostas simples para os desafios que estamos vivendo. Mas, frente a esses desafios, o professor Mariotti não é daqueles autores que advogam que a saída é nos tornarmos cínicos ou céticos ou amargos.
Sem oba-oba, sem escorregar em platitudes e, tampouco, sem aborrecer o leitor com mostras de erudição desnecessária, o autor aponta horizontes que passam desapercebidos da maioria das pessoas e do senso comum. Vale a pena como início de uma jornada -- que está longe de ser esgotada -- para indivíduos que gostam de pensar estrategicamente.
Os cansados, os estressados e os jogadores do novo mundo do trabalho
Era uma vez um tempo que já vai longe – lá pelo século XX – em que a maior parte das pessoas via o trabalho como emprego. Esse era um vínculo estabelecido por necessidade de sobrevivência e que não trazia muitas alegrias para a maior parte das pessoas. Ganhar o “algum” era o mais importante. Realização e prazer com o trabalho ficava apenas para alguns felizardos.
A dinâmica em velocidade acelerada de inovações em tecnologias, novas possibilidades de estilos de vida, globalização, novos arranjos produtivos e novas expectativas de realização pessoal tem trazido para muita gente, sobretudo para os mais jovens, um sonho de que, talvez, “trabalho” não tenha que ser mais sinônimo de “emprego”, como foi até o século XX. Quem sabe trabalho não se torne para as gerações futuras simplesmente “projeto”? Aliás, é bom saber que projeto vem da palavra “projectus” em Latim, que significa lançar para a frente.
Os profissionais de RH (recursos humanos) nas empresas estão cada vez mais às voltas com o desafio de atrair e reter talentos com perfil de indivíduos criativos. Bons empregados, que fazem as coisas direitinho simplesmente, não são mais suficientes para garantir a parada dura dos bravos tempos digitais. Mais do que nunca, quem faz a diferença no competitivo jogo das negócios atuais são os indivíduos capazes de inovar, isto é, de criar novas respostas. É sobre esse desafio que falo em minha coluna de Época nesta semana, a qual você pode ler clicando aqui.
Da série Expedições em busca de inovação: a máquina israelense para tratamento de miomas.
Recentemente comecei a implementar meu projeto Expedições em Busca de Inovação e Mudanças de Ruptura (mais detalhes no post que você pode ler clicando aqui). Minha expedição-piloto foi em Israel e aconteceu no final do ano passado. Meu interesse em começar este projeto por Israel foi por ter constatado que aquele país deu uma tremenda virada que começou a vinte anos atrás, quando os israeleneses resolveram trocar o sonho da auto-sustentabilidade local baseada em uma agricultura coletivista pelo ambicioso objetivo de se tornar um país inovador e produtor de patentes intelectuais de alta tecnologia. (A reportagem completa você pode baixar e ler clicando israel.pdf.)
Um conjunto de inovações nas quais Israel está se destacando mundialmente é no desenvolvimento das chamadas “operações sem cicatrizes”. Um bom exemplo é o sistema Exblate o qual foi desenvolvido para tratamento de miomas sem ter que realizar cirurgia. (Mioma é um tumor benigno que se desenvolve em quase 77% das mulheres. Destas quase 25% terão extirpá-los mediante cirurgia, que não raro significa a retirada completa do útero.)
Até agora só existem 50 máquinas destas operando pelo mundo afora e o hospital Barra D'Or, no Rio de Janeiro, é o primeiro a receber um sistema Exblate na América Latina. Muitas leitoras ficaram curiosas de saber como isso funciona. O Barra D'Or colocou maiores informações e inclusive um video interessante para quem quer saber mais sobre essa inovação. Você pode ver seguindo clicando aqui.
“Um cocheiro filósofo costumava dizer que o gosto da carruagem seria diminuto, se todos pudessem andar de carruagem.” Essa pérola de sabedoria, criada e colocada por Machado de Assis na boca do personagem-título de “Memórias Póstumas de Braz Cubas”, é uma máxima de uma atualidade atroz. Veja como exemplo, a cidade de São Paulo: sua frota cresce oito vezes mais rápido que a população. O mesmo ocorre pelo mundo afora.
Esta semana voltei de Brasília e achei muito engraçado o povo de lá reclamando de engarrafamentos. Imagine, logo naquela cidade projetada para nunca engarrafar!
Demoramos pouco mais de cem anos para povoar o planeta com o primeiro bilhão de carros. O segundo bilhão vai chegar muito mais rápido porque carro zero vai se tornar ainda mais barato, acessível até mesmo aos consumidores de baixa renda. Não reclame dos engarrafamentos atuais. Vai ficar muito pior.
A maior metrópole do país é hoje uma amostra do que aguarda todas as grandes cidades brasileiras. E não adianta colocar a culpa só em governos e políticos. Não acredito na capacidade de qualquer prefeito de ser bem-sucedido ao atacar essa questão de cima para baixo. Esse é o assunto de minha coluna da semana em Época. Você pode lê-la clicando aqui.
Lá eu falei de uma auditoria da mobilidade pessoal: uma forma de cada indivíduo avaliar e pensar em formas mais eficazes de racionalizar o uso do carro. E sugeri usar uma planilha para fazer essa análise. Um possível modelo de planilha em arquivo excel você pode baixar clicando ali ==> auditoria do uso do carro.xls.
E comente aqui. Ainda que sua opinião seja diametralmente oposta a minha, será bem-vinda.
Na minha crônica passada em Época, a qual antecipa que brevemente celulares e internet vão estar liberados em aviões, mencionei que pretendo colocar na minha bagagem de mão fones de ouvido para cancelar ruídos. Várias pessoas me enviaram e-mail pedindo para dar mais informações deste produto.
Dê um pulo na Wikipedia para saber mais sobre o mesmo e também procure o termo noise-cancelling headphones no Google. Para o link da Wikipedia é só clicar aqui
22/03/2008 Começa assim a internet a bordo dos aviões....
Na foto dois técnicos instalam uma das antenas de um sistema que vai permitir o oferecimento da internet banda-larga wireless a todos os passageiros durante o vôo. É assim que começa uma revolução de comportamentos que é o tema de minha página da revista Época desta semana.
A empresa Aircell é a responsável pelo serviço e a fase de testes atinge apenas quinze aviões da American Airlines. Uma rede de 92 torres da Aircell espalhadas pelo território norte-americano já está preparada para cobrir todo o espaço aéreo dos EUA. Porém o objetivo é prover uma cobertura global e oferecer também para outras cias. aéreas. Uma coisa é certa: voar nunca mais será a mesma coisa!
Quer ler o meu artigo on-line? Clique aqui. E você é bem-vindo para postar suas impressões e comentários aqui no meu blog.
Além de colunista de Época, Ricardo Neves é consultor de empresas, autor e conferencista. Seus temas prediletos são inovação e processos de mudança nos estilos de vida das pessoas, na sociedade, nas organizações e no governo. O Novo Mundo Digital – Você Já Está Nele é seu livro mais recente e é o primeiro volume de uma trilogia intitulada Renascença Digital